sábado, 17 de setembro de 2011

Trabalho de pesquisadores demonstra que crianças educam os pais


     A paternidade e a maternidade são sagradas missões que recebemos para desempenhar na Terra. No entanto, muitas vezes não nos damos conta disto e relegamos a educação a segundo plano, principalmente a educação moral que dá a base e o sustentáculo ao indivíduo para ser um homem de bem. Com isso a sociedade recebe cidadãos inteiramente focados no imediatismo, ignorantes de que são seres espirituais apenas de passagem por aqui. Muitos sequer arrumam as malas para o momento de partida, e, quando a velha morte chega, partem de bagagem vazia, levando quase nada para o além. Podemos depositar isto, por exemplo, na falta de educação para a morte. Se julgarmos o nome muito forte, chamemo-lo como quisermos, mas não deixa de ser falta de educação.
      Se nos debruçarmos com interesse nas questões de O Livro dos Espíritos, principalmente na questão 208, na qual os imortais falam-nos da importância de receber um Espírito que renasce neste planeta para educá-lo nos caminhos do bem e da verdade, veremos que ser pai ou mãe neste planeta de provas e expiações não é brinquedo não.
     Por isso educar é preciso, Mais do que isso: fundamental. No entanto, são vários os aspectos educacionais que poderíamos discorrer neste singelo texto, entretanto, queremos aprofundar a questão educação sob um ponto de vista um tanto quanto distante dos padrões comumente utilizados.
Obviamente explicarei com maiores detalhes o ponto onde quero chegar. É sabido que é em tenra idade que o Espírito está mais acessível às impressões que recebe na formação de toda a sua estrutura como Ser que aqui renasce. Seja em casa ou na escola os exemplos bons ou ruins repercutirão na alma infantil e possivelmente influenciarão suas atitudes quando a idade adulta o atingir, pois o tempo é inexorável para todos os filhos de Deus. Como dizia minha mãe: Não somos apenas nós que envelhecemos, o relógio biológico também é fatal para com as crianças, elas também fazem aniversário.
Mas não quero aqui ser prolixo e vou direto ao ponto.
       A revista FAPESP (para quem desconhece, a sigla significa Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) de julho de 2011 traz interessante matéria que versa justamente na inversão dos papéis educacionais em algumas ocasiões. Ao invés de pais educarem os filhos, no caso da pesquisa realizada, foram os filhos que educaram os pais.
     A cardiologista Luciana Savoy do Incor (Instituto do Coração) que integra a equipe do médico Bruno Caramelli, também do Incor, resolveu estudar como as atitudes dos filhos podem influenciar os pais. O tema trabalhado assim está descrito: “A educação dos filhos como instrumento terapêutico na redução do risco cardiovascular dos pais”.
     Foram escolhidos dois grupos de uma escola em Jundiaí.No primeiro grupo os pais tiveram acesso apenas a folhetos falando da alimentação saudável e atividades físicas e sua importância na prevenção de doenças cardiovasculares.
     Já no segundo grupo, além de os pais receberem os folhetos, os filhos tiveram treinamento sobre a alimentação e o impacto em uma vida saudável. Portanto, aprenderam sobre como se alimentar adequadamente, tiveram aula de educação física, fisioterapia, passeios ciclísticos e peças de teatro para reforçar a relevância dos alimentos e o estilo de vida e suas relações com as doenças cardiovasculares.
     Como parâmetro para verificar as diferenças entre os dois grupos que citamos acima, foi utilizada a escala de Framingham, largamente usada em todo mundo como referência para saber se o indivíduo terá risco de desenvolver doenças cardiovasculares nos próximos 10 anos.
     Os resultados mostraram que a educação é sempre alternativa viável para prevenir os males desta vida. Cerca de 91% dos pais pertencentes ao grupo em que os filhos participaram das atividades educacionais tiveram uma redução nos riscos de desenvolver doenças cardiovasculares, enquanto que no outro grupo apenas 13% obtiveram sucesso.
     As crianças que participaram do estudo passaram a cobrar os pais sobre a questão que envolve alimentação saudável, vida sedentária, tabagismo etc. Começaram, inclusive, a interferir nas compras de supermercado e trocar as sobremesas por frutas. Alguns pais tinham o hábito de consumir pizza três vezes por semana, as crianças cortaram o péssimo costume dos marmanjos. Pizza apenas aos sábados e olhe lá.
Em outras palavras, educaram os pais e modificaram absurdamente os hábitos da família, o que redundou em ganho na qualidade de vida.
     Parabéns ao doutor Bruno Caramelli e sua equipe pelo projeto que se chama “A educação dos filhos como instrumento terapêutico na redução do risco cardiovascular dos pais” Mas, projetos à parte, observemos como a educação é uma via que trafega em duas mãos: se ensinamos as crianças hoje a maneira correta de proceder perante a vida sob os mais variados aspectos, teremos resultados positivos muito antes desses pequenos atingirem a idade adulta.
     Antigamente dizíamos que educar o filho hoje equivaleria a transformá-lo em adulto consciente no amanhã. A coisa mudou um pouco de figura: Educar adequadamente as crianças de hoje as transformam automaticamente em crianças conscientes. Nem é preciso mais cogitar do amanhã, pois com a educação ele – o amanhã – está mais próximo, acontecendo em tempo real, agora.
     Esta pesquisa demonstra que as crianças de hoje, se bem educadas em padrões de criatividade e inovação, fazendo-as participar dos acontecimentos como agentes ativos de transformação, têm muito a nos ensinar. Eis, portanto, que a educação se faz com a participação da criança no processo educativo. Percebemos que este tipo de processo deixa essas crianças de antenas ligadas e por isso cobram dos pais o que eles devem oferecer como condutores desses Espíritos em evolução, ou seja, EXEMPLOS.
     Atualmente em um mundo dinâmico e milionário em informações, apenas as palavras não bastam. Ou nós como pais e educadores ensinamos pelos exemplos e façamos, também, com que a criança participe desse processo, ou não atingiremos os patamares de uma educação eficaz, que prepara a criança de hoje para viver de forma coerente com os padrões de educação propostos pelo Cristo.
Pensemos seriamente nos tópicos que envolvem a educação e, principalmente, aprendamos a aprender com as crianças. Mas para isso é preciso humildade. Será que a temos o suficiente?

Referência:
CARAMELLI, BRUNO. A educação dos filhos como instrumento terapêutico na redução do risco cardiovascular dos pais. FAPESP. São Paulo. Número 185. Julho/2011.
WELLINGTON BALBO

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